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Náuseas, o suplício da gravidez.


Muitas mulheres desconfiam estar grávidas quando acordam enjoadas. A desconfiança faz sentido: metade das mulheres apresentam náuseas e vômitos no início da gravidez; 25% das restantes referem apenas náuseas.
Na maioria das vezes, os sintomas são desagradáveis, porém passageiros. Numa pequena proporção deles, no entanto, tornam-se persistentes e incapacitantes, provocando desidratação, perda de peso e necessidade de internação hospitalar.
Náuseas e vômitos intensos, causadores de desidratação, perda de mais de 5% do peso corpóreo, perda de potássio, aparecimento de corpos cetônicos no exame de urina, aumento da densidade urinária, além de outras alterações caracterizam a hiperemese gravídica, distúrbio presente em 0,3% a 1,0% das gestações.
Na gravidez normal, as náuseas e os vômitos costumam surgir ao redor da quarta semana — contada a partir do último período menstrual –, e aumentar de intensidade até atingir o pico na nona semana, aproximadamente. Em 90% dos casos, o quadro regride quando a gestação atinge 20 semanas.
Os sintomas são menos frequentes nas mulheres mais velhas, nas multíparas e nas fumantes. A presença de náuseas e vômitos na gestação está associada à diminuição do risco de aborto.
Embora as causas das náuseas e dos vômitos sejam pouco claras, o fato de estarem presentes na mola hidatiforme, processo no qual não existem tecidos fetais, apenas placentários, sugere que o estímulo responsável pelo aparecimento dos sintomas tenham origem na placenta.
A constatação de que fumantes apresentam menos náuseas e vômitos, pode ser explicada pelo menor tamanho da placenta associado ao cigarro.
A evolução está diretamente relacionada com os níveis sanguíneos de beta-HCG (a gonadotrofina coriônica que o teste para comprovar gravidez detecta na circulação): quanto mais alto estiverem, maior a intensidade dos sintomas.
A explicação mais aceita é a de que a gonadotrofina coriônica estimularia os ovários para produzir estrogênio, hormônio causador dos enjoos. Mulheres com mola hidatiforme, gestações gemelares e aquelas com níveis sanguíneos de beta-HCG mais elevados correriam risco mais alto de apresentar os sintomas.
Outra teoria atribui papel importante à deficiência de vitamina B, uma vez que a administração de complexos vitamínicos reduz a incidência e a intensidade do quadro.
A teoria de que as náuseas e os vômitos seriam causadas por mecanismos puramente psicológicos nunca foi comprovada.
A sintomatologia pode ser aliviada evitando perfumes, suplementos vitamínicos e os alimentos que disparam os enjoos, principalmente os gordurosos ou muito condimentados, e os comprimidos de ferro.
A experiência mostra que dividir as refeições diárias de modo a torná-las mais frequentes e menos volumosas, e ingerir líquidos nos intervalos pode ajudar. Manter bolachas de água e sal no criado-mudo para evitar períodos longos com o estômago vazio, também.
Um estudo mostrou que refeições ricas em proteínas reduzem as náuseas com mais eficácia, do que aquelas com o mesmo número de calorias fornecidas por carboidratos e gorduras.
Aproximadamente 10% das mulheres precisam de medicação.
As drogas mais empregadas são: vitamina B6, anti-histamínicos, agentes pró-cinéticos (que aceleram o esvaziamento gástrico), antieméticos e outros.
Como podem atravessar a barreira imposta pela placenta e chegar à circulação fetal, nenhum medicamento deve ser ingerido sem ouvir o obstetra.
Algumas tentativas de demonstrar que a acupuntura pode ser útil produziram resultados contraditórios. Ao contrário, um estudo randomizado com 675 participantes que receberam cápsulas de gengibre mostraram que houve melhora das náuseas em comparação com o grupo placebo. Em dois outros trabalhos, a eficácia do gengibre foi igual à da vitamina B6.

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